Muita gente pensa que terapia é “só conversar”, mas algumas abordagens trazem estruturas e ferramentas bem específicas para lidar com sofrimento emocional. Duas delas, que utilizo na clínica, são a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Comportamental Dialética (DBT). Ambas são baseadas em evidências científicas e podem ser especialmente úteis para quem vive com autismo, Borderline, ansiedade, depressão e dificuldades nas relações.
A TCC parte da ideia de que nossos pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. Muitas vezes, não percebemos que determinados pensamentos automáticos (“sou um fracasso”, “ninguém se importa comigo”, “vou estragar tudo”) influenciam diretamente na forma como nos sentimos e agimos. Na terapia, vamos identificando esses padrões, checando se eles realmente fazem sentido e construindo maneiras mais equilibradas de interpretar o que acontece.
Isso não significa “pensar positivo” a qualquer custo, mas aprender a olhar para as situações com menos distorções e mais cuidado consigo. Para pessoas autistas, por exemplo, a TCC pode ajudar a nomear emoções, entender melhor o impacto de certos contextos e desenvolver estratégias específicas para lidar com ansiedade social, mudanças de rotina ou sobrecargas.
Já a DBT foi criada justamente para pessoas que sentem tudo de forma muito intensa e têm dificuldade em regular emoções, como é frequente no Transtorno de Personalidade Borderline. Ela organiza o tratamento em grupos de habilidades, entre elas:
- Mindfulness (atenção plena): aprender a estar no presente, observando emoções e pensamentos sem se confundir totalmente com eles;
- Tolerância ao mal-estar: desenvolver recursos para atravessar situações difíceis sem recorrer a impulsividade ou autolesão;
- Regulação emocional: entender o que se sente, de onde vem e como pode ser cuidado;
- Efetividade interpessoal: cuidar das relações, colocando limites, pedindo o que precisa e se posicionando com menos culpa.
Na prática clínica, TCC e DBT não são caixas fechadas. O trabalho é sempre adaptado à realidade de quem chega: idade, contexto, diagnóstico (ou hipótese), história de vida, recursos e limites. Em vez de tentar encaixar a pessoa em uma técnica, usamos a técnica a serviço da pessoa.
Se você sente que vive em um “vai e vem” emocional, se está sempre no limite, se as relações se tornam fonte constante de dor, ou se a vida cotidiana como pessoa autista parece sempre pesada demais, TCC e DBT podem ser caminhos importantes de cuidado. Em terapia, vamos construindo juntos formas mais estáveis de se relacionar com suas emoções, com sua história e com o mundo, sem apagar quem você é.